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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

História dos drones: como surgiram? Para que servem?

 

Os drones vêm ganhando cada vez mais popularidade, tendo sua regulamentação em bom nível de maturidade já agora em 2023. De acordo com a consultoria Gartner, 5 milhões de dispositivos devem ser vendidos por ano até 2025, gerando, possivelmente, um faturamento de cerca de 15,2 bilhões de dólares por ano. Entretanto, poucas pessoas sabem da história dos drones, seu surgimento, a razão de seu crescimento e afins.


O uso do drone pode variar entre recreação, sendo conhecido como aeromodelismo, e profissionais, existindo até cursos para a pilotagem profissional de drones. Ciente do crescimento da ferramenta, o ITARC preparou este artigo com curiosidades sobre a história dos drones e seu surgimento, até os dias atuais. Confira!


Confira a história dos drones e suas curiosidades


O surgimento do drone

A história dos drones iniciou-se com uma inspiração em bombas voadoras alemãs do tipo V-1, popularmente conhecidas como buzz bomb. Recebeu esse nome devido ao barulho que fazia enquanto voava, sendo criada pela Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de ser limitada e considerada um alvo fácil, conseguiu um sucesso considerável com sua velocidade constante e por voar somente em linha reta, atingindo um número de mais de 1.000 bombas V-1 lançadas. Alguns anos mais tarde, ainda na Segunda Guerra mundial, foi criada sua sucessora, a bomba V-2.


Quem inventou o drone?

O modelo que ficou marcado na história dos drones, ou seja, o qual conhecemos hoje em dia, foi desenvolvido pelo engenheiro espacial israelita Abraham (Abe) Karem. Segundo ele, em 1977, época de sua chegada nos EUA, eram necessárias 30 pessoas para controlar um drone. Diante desta situação, ele fundou a empresa Leading System e, utilizando poucos recursos tecnológicos, como fibra de vidro caseira e restos de madeira, deu origem ao Albatross.


Com as melhorias alcançadas com o novo modelo – 56 horas no ar sem recarga de baterias e com três pessoas operando, o engenheiro recebeu financiamento da DARPA para os aprimoramentos necessários para o protótipo e, com isso, surgiu o novo modelo chamado Amber.

Tais aeronaves foram projetadas e desenvolvidas para missões militares que ofereciam risco à vida de seres humanos, como resgate em incêndios e com a segurança de civis. Estas possuem como objetivo permitir o monitoramento ou o ataque à alguma região.


No Brasil, a história dos drones foi marcada pelo BQM1BR, o primeiro VANT registrado no país, fabricado pela CBT (Companhia Brasileira de Tratores). Movido a jato, o protótipo tinha como objetivo servir de alvo aéreo, realizando seu primeiro voo em 1983.


Além desse, outro VANT registrado é o Gralha Azul, produzido pela Embravant. Este possui mais de 4 metros de envergadura, podendo realizar até 3 horas de voo.


Assim como a internet, a história dos drones foi caminhando rumo à acessibilidade e trouxe muitos benefícios tanto para o mercado de drones quanto para seus consumidores. Hoje em dia, os drones possuem uma versatilidade enorme quando se trata do seu uso. Entre suas utilidades estão monitoramento e vigilância, foto e filmagem, uso militar, resgate, dentre dezenas de outros.


O que é um drone?

É um veículo aéreo não tripulado (VANT) que possui uma controladora de voo, podendo receber comandos por meio de radiofrequência, infravermelho e, até mesmo, missões definidas de forma prévia por coordenadas GNSS (Global Navigation Satellite System), através de seu sistema embarcado. Sua aparência remete a mini-helicópteros, alguns modelos são réplicas de jatos, outros são multirotores, quadcopters (quatro motores), modelos com oito motores e até com 12 motores, ou que utilizam combustível para seu voo.


A nomenclatura VANT já é considerada obsoleta, pois com a evolução da tecnologia e padronização mundial, o nome técnico mais praticado no Brasil desde 2022 é o de RPAS (Remotely Piloted Aircraft System) ou UAS (Unmanned Aerial System). Mesmo sendo palavras em inglês, não fica correto traduzi-las, pois sua tradução entraria em conflito com outras siglas já utilizadas na aviação. Como é o caso de ARP, por exemplo (Aeronave Remotamente Pilotada). Porém, esta sigla já é utilizada para designar “Aerodrome Reference Point”.


Drone em inglês significa ‘’zangão’’ e, devido ao seu zumbido ao voar, porém a nomenclatura costuma variar conforme seu propósito de uso. Conheça mais sobre suas nomenclaturas a seguir:


VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado)


Era apresentada como a terminologia oficial segundo os órgãos reguladores brasileiros do transporte aéreo. Contudo, no Brasil, é caracterizado como RPA qualquer aeronave projetada para operações sem pilotos embarcados, de acordo com a legislação pertinente, Circular de Informações Aéreas AIC N 21/10.


O RPA ou RPAS possui fins comerciais ou de pesquisa científica e experimentos. Além disso, para um drone ser considerado um RPA, é necessário este possuir carga útil embarcada, não influenciando em seu funcionamento, como por exemplo uma câmera ou uma embalagem de produto.


RPAs (Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas)


É considerado o termo correto para referir-se a aeronaves que são controladas remotamente durante o voo.

No caso de alguém, por exemplo, querer realizar a filmagem do seu casamento ou realizar a entrega de alguma encomenda, é preciso uma solicitação formal de uso específico 15 dias antes, com as devidas informações e características sobre a nave para a ANAC.


Gostou do nosso artigo? Aqui no blog do ITARC você sempre pode saber mais sobre o mundo dos drones e suas curiosidades! Se você procura por um curso de pilotagem de drone ou um curso de manutenção de drones o ITARC (Instituto de Tecnologia Aeronáutica Remotamente Controlada) é o lugar certo para você. Atuamos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Porto Alegre, Santa Catarina, Paraná, Amazonas, Alagoas e Ceará. Temos vários polos regionais essenciais para o desenvolvimento e a prática da tecnologia de RPA no Brasil. Entre em contato conosco e saiba mais sobre nossos cursos!


E a história recente, o que temos?


Veja este vídeo sobre um projeto onde o próprio ITARC fez história lançando o primeiro Drone Salva Vidas no Brasil. Um projeto totalmente original, desenvolvido pelo ITARC e implementado no CBMERJ (Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro).

Por este projeto o ITARC recebeu premiação internacional direto da General Eletric – GE.




Fonte: https://itarc.org/historia-dos-drones/

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Todas as noites programação ao vivo com Ademir Palácios

 


 Todas as noites programação ao vivo com Ademir Palácios O SOM DA SAUDADE

https://nossajovemguarda.blogspot.com/

Clique no link acíma para acessar a rádio que leva até você momentos de recordações

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Rádio Nossa Jovem Guarda - Programa ao vivo com os grandes sucessos e curiosidades

 


 Todas as noites a partir das 22:30 o programa : O SOM DO SUCESSO

Apresentação de Ademir Palácios com transmissão ao vivo para todo planeta, os grandes sucessos da fase Jovem Guarda e anos 70 para você recordar. Clique no link abaixo e acesse

nossajovemguarda.blogspot.com

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Relembre artistas que fizeram história na Era de Ouro do rádio

 Nomes como Marlene, Emilinha Borba e Cauby Peixoto ainda hoje são lembrados por seus 

Entre os anos 1930 e 1950 do século XX, ouvir rádio era uma atividade que reunia as pessoas na sala de seus lares, ao redor daqueles aparelhos valvulados de grande porte - e zero portabilidade.

Além dos noticiários e radionovelas, a música - executada ao vivo em programas de auditório - era um dos principais conteúdos que atraíam e envolviam o público. Foi assim que surgiram verdadeiros ídolos das multidões, em uma espécie de "show business" que ainda engatinhava.

Artistas como Marlene, Emilinha Borba e Cauby Peixoto fizeram parte da Era de Ouro do Rádio brasileiro. Eles conquistaram fãs fervorosos, que queriam seguir todos os seus passos para além da música: nessa época, o cotidiano dos artistas também se tornou algo de interesse do público. Revistas e jornais ajudavam a manter esse status de "mito" atribuído aos cantores, que estavam sempre marcando presença em entrevistas e reportagens, falando sobre suas vidas pessoais e profissionais.

Para relembrar a chamada Era de Ouro do Rádio, o Mundo GFM destaca a seguir cinco ícones desse período da nossa música.

Marlene

Nascida Victoria Bonaiutti de Martino, em 24 de novembro de 1922, a artista adotou o nome Marlene para não ser descoberta pela família no início de sua carreira como cantora de rádio. Aos poucos, alcançou grande sucesso, tornando-se uma das estrelas da Rádio Nacional no fim dos anos 1940. Com sucessos como "Lata D'Água" e "Mora na Filosofia", a intérprete notabilizou-se pela sua voz e conquistou o trono de Rainha do Rádio em 1949.


Sua trajetória também foi marcada pela rivalidade com outra colega de profissão, Emilinha Borba. A disputa pela coroa de "Rainha do Rádio" mobilizava os fãs de ambas e era assunto constante na Revista do Rádio, periódico voltado para tudo que acontecia nos estúdios e nos bastidores.


Além de brilhar na Era do Rádio, Marlene seguiu fazendo trabalhos como atriz e reposicionou sua carreira musical a partir do fim dos anos 60, com shows como "É a Maior!" (1969) e "Te Pego Pela Palavra" (1974). A artista faleceu em 2014, devido a uma pneumonia severa.


Emilinha Borba

foto 02

Emilia Savana da Silva Borba nasceu em 31 de agosto de 1923 e começou a carreira ainda na adolescência. Aos 16 anos, gravou seu primeiro disco de 78 RPM. Na mesma época, tendo Carmen Miranda como madrinha, passou a se apresentar como crooner do Cassino da Urca. Em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde permaneceu por 27 anos, sendo considerada a "Estrela Maior" da emissora. Em 1953, foi coroada pelo voto popular como a "Rainha do Rádio".


Emilinha foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo, com patrocínio do laboratório Leite de Rosas. Até agosto de 1995, ela foi a personalidade que mais vezes apareceu em capas de revistas no Brasil.


A artista ficou inativa por problemas nas cordas vocais entre 1968 e 1972. Nos anos 2000, seguiu fazendo shows pelo Brasil. Em 3 de outubro de 2005, Emilinha morreu de infarto fulminante, aos 82 anos.


Cauby Peixoto





Nascido em Niterói (RJ), em 10 de fevereiro de 1931, Cauby Peixoto Barros começou a carreira artística no fim dos anos 40. Era conhecido pelo estilo próprio de interpretação e por seu visual excêntrico. Em 1949, estreou no programa "Hora do Comerciário", da Rádio Tupi, e logo se transferiu para São Paulo. Em 1952, foi contratado pela filial paulista da Rádio Nacional.


O estrelato, no entanto, só veio na metade dos anos 50, com a gravação da versão em português de "Blue Gardenia", sucesso na voz de Nat King Cole. Nessa época, o assédio das fãs se intensificou: ele chegava a ter pedaços de suas roupas arrancados pelas admiradoras.


Cauby também passou uma temporada nos Estados Unidos, usando o nome artístico Ron Coby, com idas e vindas entre 1955 e 1958. Com o declínio da Era do Rádio e dos programas de auditório ao vivo, buscou se reinventar. Em 1957, foi o primeiro cantor a gravar um rock em português, intitulado "Rock and Roll em Copacabana". Em 2007, venceu o Grammy Latino na categoria "Melhor Álbum de Música Romântica". Cauby morreu na noite de 15 de maio de 2016, aos 85 anos, por complicações de uma pneumonia.


Orlando Silva

foto orlando

O chamado "Cantor das Multidões" viveu alguns percalços até alcançar a fama. Nascido no Rio de Janeiro (RJ), em 3 de outubro de 1915, Orlando teve os dedos do pé amputados após um acidente com um bonde. Ele foi reprovado em dois testes para ser cantor de rádio, até ser apadrinhado pelo compositor Bororó e pelo cantor Francisco Alves, conhecido como "O Rei da Voz". Em 1934, passou a cantar na Rádio Cajuti. Dois anos depois, ajudou a inaugurar a Rádio Nacional e foi o primeiro cantor a se apresentar na estação.


Orlando Silva foi o primeiro cantor a ter um programa de rádio exclusivo, que ia ao ar nos fins de tarde de domingo, e fazia tanto sucesso que suas fãs criaram o hábito de colecionar pedaços de suas roupas. Ele costumava atrair multidões em suas apresentações. No início dos anos 1940, entretanto, o vício em morfina e álcool passou a minar sua carreira. Ele morreu aos 63 anos, em 7 de agosto de 1978, vítima de uma isquemia cerebral.


Ângela Maria

foto angela

Uma das maiores divas da música brasileira, Angela Maria também foi revelada na Era do Rádio. Ela nasceu em São Paulo (SP), em 29 de setembro de 2018, e foi eleita "Rainha do Rádio" em 1954. A artista, conhecida como Sapoti, consagrou-se como uma das grandes intérpretes de samba-canção, ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran. Além de cantora, Angela era atriz, tendo participado do filme "Portugal... Minha Saudade" (1973), de Mazzaropi.


Angela Maria foi o grande ídolo de Elis Regina, uma das maiores cantoras da segunda metade do século XX. Ela ainda inspirou artistas como Djavan, Milton Nascimento e Ney Matogrosso. A artista morreu em 29 de setembro de 2018, aos 89 anos.




Fonte:https://www.ibahia.com/

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Programa de rádio: Pelos Caminhos da Saudade mantém serestas vivas há 75 anos

 

Na foto: Fábio Monteiro, o cantor seresteiro Roberto Fioravante e Manoel Lopes Alarcon, em 1990

 Criado em 1949, o programa Pelos Caminhos da Saudade, da Rádio Educativa, completa 75 anos em 2024. Um dos mais tradicionais do rádio piracicabano, o programa preserva até hoje a tradição da seresta, com uma vasta programação de clássicos do estilo musical.

O programa difunde pelas ondas do rádio uma história musical de mais de cem anos de existência, que são tocadas junto com informações a respeito do estilo que ecoa pelos rádios de Piracicaba. “A trilha musical do programa retrata gêneros musicais como a valsa, modinhas, canções, samba canção, boleros, tangos e sambas do início do século 19. São mais de cem anos de história da música brasileira, informando o ano da composição, seus autores e intérpretes”, disse o radialista Fábio Monteiro, apresentador do programa desde 2003. A atração teve início com Arthêmio de Lello, então com 13 anos, que exercia a função de radialista e apresentador. Ele permaneceu até a década de 1960, quando problemas nas cordas vocais o impediram de atuar.


Na época, o programa era transmitido pela emissora Rádio PRD-6, no antigo Teatro Santo Estevão (onde atualmente se localiza o coreto da praça José Bonifácio) e tinha como colaboradores Dirlei de Almeida Canto, Carlos Cantareli e Edson Rontani. Após o afastamento de Arthêmio, a locução do programa foi assumida por Manoel Lopes Alarcon, que ficou até 1991 no comando do programa. Depois dele, a apresentação foi assumida por Alícia Nascimento e pelo jornalista Geraldo Nunes, à época editor do Jornal de Piracicaba, que atuou até a sua morte, em 2000. O programa ficou fora do ar durante três anos, e retornou com Fábio na apresentação, que já conhecia a produção do programa. “Já participava na produção quando era apresentado pelo Geraldo Nunes. Este programa eu recebi de herança do Manoel Lopes Alarcon em vida, pois em 23 de novembro de 1990, recebi das mãos dele o troféu Pelos Caminhos da Saudade e a missão de dar continuidade aos seus trabalhos, mesmo quando ele viesse a partir”, contou Fábio.


“É uma grande satisfação a produção e apresentação do programa, pois tenho a oportunidade de informar ao ouvinte detalhes da música. O programa oferece a oportunidade do público de conhecer as músicas executadas em décadas passadas, seus ritmos e sua poesia”, afirmou o apresentador. A programação também deu a oportunidade de Fábio ajudar a perpetuar a cultura seresteira de Piracicaba, com a criação do Projeto Choros e Serestas, “que tem por finalidade a preservação da nossa memória musical’, diz. “Em certas ocasiões, as músicas executadas na seresta no Largo dos Pescadores tinham suas trilhar originais nas ondas do programa. Assim, as pessoas tinham a oportunidade de conhecer seus autores e intérpretes originais”, finalizou. O programa Pelos Caminhos da Saudade vai ao ar todo sábado às 9h pela Rádio Educativa de Piracicaba 105,9.


sábado, 15 de junho de 2024

O inverno

  


Na natureza, o inverno é um tempo de aparente morte. As árvores sem folhas, com galhos congelados, os animais escondidos em suas tocas, poucos sons, pouca luz. Porém, por trás dessa aparente morte, está a vida latente. As árvores perderam as folhas justamente para sobreviverem ao frio rigoroso e voltarem viçosas na próxima estação. O urso parece destinado ao derradeiro sono eterno. No entanto, está apenas hibernando, concentrando toda a sua energia para despertar em breve no clima mais favorável. O inverno pode nos trazer a imagem daqueles momentos na vida em que tudo parece inerte para quem está de fora, mas por dentro sentimos que é a quietude e a introspecção necessárias, que antecedem importantes movimentos na vida.


Estar aberto ao inverno é oportunidade maravilhosa de se conectar com o ciclo vida-morte-vida que rege tudo na natureza. Essa é a dança linda da vida, que nos assusta muitas vezes, mas que devia mesmo nos acalentar: essa é a certeza que temos, de que tudo se renova sempre!


Os tempos de inverno da vida nos parecem duros demais, mas se aceitarmos a dança, se aceitarmos que são períodos que podem nos ensinar muito e que podemos nos recolher para gerar energia, aí acontece o mais bonito e maravilhoso milagre da vida: depois do inverno, vem a primavera. Sempre! O desafio é aceitar o ritmo presente, aproveitar o melhor que ele tem a oferecer, aprender com o frio e a noite, assumir nossas faces integralmente, perceber a beleza de estar no aqui e agora e, em breve, tudo se renova, porque decidimos nos abrir à mudança!

segunda-feira, 27 de maio de 2024

O que causou a enchente de 1941 em Porto Alegre — e por que ela não é argumento para negar mudanças climáticas

As inundações de 1941 e 2024 tiveram origens e características diferentes, mostram pesquisas

Até recentemente, a enchente de 1941 que afetou Porto Alegre figurava no topo da lista de traumas relacionados a eventos climáticos em terras gaúchas.

À época, as águas do lago Guaíba chegaram a 4,75 metros, inundaram 15 mil casas e deixaram 70 mil pessoas desabrigadas. Um terço do comércio e da indústria da região ficou fechado por cerca de 40 dias.

Esses e outros números foram superados de longe nas últimas semanas com as tempestades e as inundações que acometeram não apenas a capital, mas quase a totalidade do Rio Grande do Sul.

O evento climático fez o Guaíba chegar a 5,33 m, afetou mais de 2,1 milhões de indivíduos, com 538 mil desalojados e 76 mil cidadãos instalados em abrigos.

No entanto, os acontecimentos de 1941 são frequentemente usados nas redes sociais como argumento para enfraquecer ou desbancar análises e projeções que apontam as mudanças climáticas como um fator decisivo para a crise atual.

Segundo essa linha de raciocínio, catástrofes climáticas acontecem naturalmente de tempos em tempos — e não estão relacionadas à ação humana.

Mas o que dizem as evidências científicas? Quais foram as causas da enchente de 1941? E será que é possível comparar os dois fenômenos?

Como você confere a seguir, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil explicam que a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos vem aumentando em várias partes do mundo — inclusive na região Sul do Brasil.

O que separa 1941 de 2024

Um artigo publicado em 2022 por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fez uma série de simulações para tentar explicar o que ocorreu em Porto Alegre entre abril e maio de 1941, quando a cidade foi atingida pela então maior catástrofe climática de sua história.

“A enchente de 1941 pode ser considerada um evento composto, porque ela foi causada por dois fatores: a precipitação [chuva] e os ventos”, explica a engenheira ambiental e sanitarista Thais Magalhães Possa, uma das autoras do estudo.

“Ambos tiveram um papel importante no aumento do nível do Guaíba durante as cheias daquele ano”, complementa a especialista, que também é doutoranda no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e hidróloga na SAFF Engenharia.

Como citado no início da reportagem, o lago que margeia a capital gaúcha atingiu à época 4,75 metros e inundou mais de 15 mil casas. Mas a forma como o fenômeno se desenrolou foi diferente do que aconteceu agora, em 2024.

“Em 1941, a precipitação se estendeu por um longo período de 24 dias, entre 13 de abril e 6 de maio. O volume de chuva acumulado em Porto Alegre nessas datas foi de 600 milímetros (mm)”, calcula Possa.

“Já em 2024, observamos altos volumes de chuva durante um período curto. Em algumas regiões, tivemos 200 mm de precipitação em apenas três dias”, compara ela.

As enchentes de 83 anos atrás também tiveram a contribuição importante dos ventos, como mencionado por Possa.

“O que se sabe por meio de relatos é que ocorreu um vento de intensidade forte na direção sul, que contribui para um aumento do nível das águas”, diz a hidróloga.

“Para o evento atual, não observamos ventos tão intensos que justifiquem níveis tão grandes do Guaíba”, pontua ela.

“Esse evento climático de agora está muito mais relacionado à vazão dessa grande precipitação num curto espaço de tempo, que encheu a bacia hidrográfica”, acrescenta o engenheiro ambiental Pedro Frediani Jardim, outro autor do artigo.

Mas o que explica tanta chuva no Rio Grande do Sul durante essas últimas semanas?

Meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil destacam uma conjunção de fatores por trás das tempestades.

Primeiro, um “cavado” (uma frente fria) que tomou todo o Estado. Segundo, uma onda de calor no Centro-Oeste e no Sudeste, que bloqueou a dissipação da frente fria vinda do sul.

Terceiro, a seca na Amazônia e um deslocamento dos “rios voadores”, que trazem umidade da maior floresta tropical do mundo para o resto do Brasil. E, quarto, o fenômeno El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e traz mais umidade para terras gaúchas.

Mas daí vem a grande questão: os eventos climáticos extremos que afetam tantas cidades gaúchas agora estão relacionados ou não às mudanças climáticas?

15% mais chuvas
Jardim, que também é hidrólogo na Hydrodata Engenharia, pondera que ainda é muito cedo para fazer uma ligação direta e afirmar categoricamente que as atuais inundações no Rio Grande do Sul estão relacionadas ao aquecimento global provocado pela ação humana.

“Com a extensão de dados que nós temos hoje, não é possível cravar com 100% de certeza que as cheias das últimas semanas foram causadas pelas mudanças climáticas. Nós podemos estar diante de um período anômalo, que daqui a pouco volta ao normal”, avalia o especialista.

“No entanto, estamos vivenciando eventos climáticos com mais frequência, como as cheias de setembro e novembro de 2023, além da atual. E esses fenômenos estão muito ligados àquilo que as projeções indicavam sobre os efeitos das mudanças climáticas no Estado”, complementa ele.

“Em outras palavras, a gente ainda não pode afirmar que as cheias atuais são decorrência direta das mudanças climáticas. Mas o que vemos agora condiz com aquilo que os modelos climáticos projetam para o Rio Grande do Sul”, explica Possa.

Aliás, os hidrólogos formados na UFRGS lembram que, das quatro maiores cheias já registradas em Porto Alegre, três ocorreram nos últimos nove meses. A mais forte delas é a atual. Em segundo lugar, vem a de 1941. Na sequência, aparecem as inundações de setembro e novembro do ano passado.

Uma ferramenta usada pelos cientistas para avaliar se eventos extremos estão relacionados ao aquecimento global (ou não) são os chamados estudos de atribuição rápida.

O objetivo aqui é comparar dados, imagens de satélites e outros indicadores para entender se um fenômeno (chuvas intensas, secas, etc.) foi influenciado por uma variabilidade natural, que acontece de tempos em tempos, ou acabou reforçado justamente pelas mudanças climáticas.

Um dos grupos a fazer esse tipo de análise é o ClimaMeter, que foi desenvolvido pelo Laboratório de Ciências do Clima e do Ambiente da Universidade Paris-Sarclay, na França e é liderado por diversas instituições europeias.

O ClimaMeter fez uma análise sobre inundações no Rio Grande do Sul no dia 10 de maio.

O trabalho comparou os sistemas de pressão atmosférica que causaram enchentes no Sul no presente (entre 2001 e 2023) com a forma que eles se comportavam no passado (entre 1979 e 2001).

Segundo o relatório, há 15% mais chuvas nos tempos atuais do que nas décadas anteriores.

“Nós atribuímos o aumento da precipitação que produziu as inundações no sul do Brasil às mudanças climáticas provocadas pelo homem. A variabilidade climática natural provavelmente desempenhou um papel modesto no evento”, concluem os pesquisadores.

“As pessoas podem argumentar que choveu tanto por causa do El Niño, que é uma variabilidade natural da realidade climática”, pontua a pesquisadora brasileira Luiza Vargas-Heinz, doutoranda no Centro Internacional de Física Teórica Abdus Salam, na Itália, e uma das autoras do relatório do ClimaMeter.

“No estudo, levamos em conta os indicadores da intensidade do El Niño, mas eles não são suficientes para explicar esse aumento da intensidade das chuvas. Por isso, chegamos à conclusão de que essa intensificação está relacionada às mudanças climáticas”, reforça ela.

Eventos climáticos extremos estão mais intensos e frequentes, como indicam as projeções

Novas bolinhas nas faces dos dados
Mas por que eventos extremos ficam mais fortes e frequentes num contexto de mudanças climáticas, como apontam os modelos feitos por cientistas?

Para responder essa questão, o climatologista Alexandre Costa, da Universidade Estadual do Ceará, cita um cálculo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“As projeções apontam que, no momento em que o aquecimento global ultrapassou a barreira de 1 ºC, os eventos extremos úmidos se tornaram 30% mais frequentes e 6% mais intensos”, informa ele.

Para explicar como isso ocorre na prática, o pesquisador faz uma comparação com um jogo de dados.

“Vamos imaginar que um evento extremo, como chuvas muito fortes, equivale ao número 12”, começa ele.

“Para que isso aconteça no jogo, você tem uma chance em 36. Isso porque, para obter esse resultado, você precisa que os dois dados caiam no seis.”

Transportando o exemplo para a vida real, para que uma catástrofe relacionada ao clima aconteça, é preciso uma conjunção de fatores um tanto rara — nas enchentes que acometem as cidades gaúchas, houve a frente fria, a onda de calor, o El Niño, a seca na Amazônia…

“O problema é que as mudanças climáticas causadas pelo homem produzem uma forte mudança na distribuição das probabilidades dos eventos extremos”, explica Costa.

“No exemplo do jogo, é como se nós estivéssemos pintando uma bolinha preta a mais em cada face dos dados. Com isso, teríamos os numerais dois, três, quatro, cinco, seis e sete.”

Ou seja: se antes só havia uma possibilidade de somar 12 nos dados (6+6), agora existem duas (6+6 e 5+7), ou o dobro.

“E, pior, essa modificação abre uma outra possibilidade: tirar o número 13. Ou, na vida real, ter eventos extraordinários ainda mais extremos e imprevisíveis”, acrescenta o cientista.

Costa reforça que, quando a atividade humana lança gases que elevam as temperaturas e mudam o ciclo hidrológico do planeta, isso gera uma gama de novas possibilidades, como secas numa região ou tempestades fora do comum em outra.

Além disso, a tendência é que esses eventos extremos — que acontecem naturalmente, de tempos em tempos, segundo os ciclos climáticos do planeta — se repitam em espaços de tempo mais curtos.

“O tempo de recorrência dessas catástrofes se reduz. Cheias extraordinárias ou ondas de calor fortíssimas, que aconteciam a cada 50 anos, passam a ocorrer todas as décadas”, exemplifica ele.

FOTO 3 Será necessário repensar na forma como casas, bairros e cidades estão projetados para se adaptar às mudanças climáticas, apontam especialistas

Mas será que isso já é realidade quando pensamos no Rio Grande do Sul? Ou a enchente atual é um evento isolado?

A bióloga Patricia Eichler-Barker, pesquisadora visitante do Laboratório de Geologia e Geofísica Marinha e Monitoramento Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), observa que toda a região Sul do Brasil sofre com uma série de problemas relacionados ao clima nas últimas duas décadas.

“Em 2004, tivemos um furacão em Santa Catarina que destelhou muitas casas e afetou a vida de dezenas de pessoas”, lembra ela.

“Sempre ouvimos que o Brasil não sofria com catástrofes naturais. Furacões e tufões eram coisas dos Estados Unidos. Tsunamis só ocorriam na Tailândia. Mas começamos a ver que isso não correspondia mais à realidade.”

O fato de três das quatro grandes cheias em Porto Alegre terem acontecido nos últimos nove meses também corrobora essa tendência.

“E isso tudo é fruto de políticas públicas e privadas dos últimos 30 anos que não têm o mínimo respeito pelo meio ambiente”, opina a especialista, que também faz projetos de pesquisa na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

“E agora o país inteiro se mobiliza em solidariedade ao Rio Grande do Sul. Mas o que pode acontecer quando catástrofes do tipo começarem a acontecer em três ou quatro Estados ao mesmo tempo? Precisamos pensar em como atender múltiplas demandas”, sugere Costa.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil foram um unânimes em afirmar que, além das medidas para frear o aquecimento do planeta, será necessário pensar em planos de resiliência climática — ou seja, como adaptar moradias, bairros e cidades inteiras a eventos como secas, inundações, ondas de calor, entre outros.

“No caso do Rio Grande do Sul, precisaremos pensar nos padrões de ocupação e nos tipos de estruturas que permitirão a gente conviver com essas cheias”, antevê Jardim.

“E aquilo que já está implantando, como nossos sistemas de proteção contra enchentes ou as pontes em cima de rios, terão que ser estudados e com garantias de manutenção”, conclui ele.


Fonte:https://www.bbc.com/portuguese/articles/cv27272zd79o





 

quinta-feira, 23 de maio de 2024

A lógica dos mosquitos

  

Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, Zika e chikungunya

Raul Santana


Qualquer um que tenha passado uma tarde de verão espantando mosquitos ou um dia coçando suas picadas concordará: os mosquitos são os piores. Mas os odores que nós, humanos, produzimos são grande parte do que os atrai.


Em um estudo publicado, cientistas ajudaram a determinar os vários produtos químicos de odor corporal que atraem esses insetos.


Os mosquitos pertencem à família das moscas e na maioria das vezes se alimentam de néctar. No entanto, as fêmeas que se preparam para produzir ovos precisam de uma refeição proteica extra: o sangue.


Na melhor das hipóteses, uma mordida só vai deixar você com uma protuberância vermelha e coceira. Mas as picadas de mosquito muitas vezes se tornam mortais por causa dos parasitas e vírus que carregam. Uma das doenças mais perigosas é a malária.


A malária é uma doença transmitida pelo sangue causada por parasitas microscópicos que se instalam nos glóbulos vermelhos. Quando um mosquito pica uma pessoa infectada com malária, suga o parasita junto com o sangue.


Depois de se desenvolver no estômago do mosquito, o parasita “migra para as glândulas salivares e é cuspido de volta na pele de outro hospedeiro humano quando o mosquito retoma a alimentação sanguínea”, explica o Dr. Conor McMeniman, professor e microbiologia associado a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e o Johns Hopkins Institute for Malaria Research, em Baltimore.


“A malária continua a causar mais de 600.000 mortes por ano, principalmente em crianças com menos de 5 anos de idade e também mulheres grávidas”, diz McMeniman, principal autor do novo estudo publicado na revista acadêmica Current Biology.


“Isso causa muito sofrimento em todo o mundo, e parte da motivação para este estudo foi realmente tentar entender como os mosquitos que transmitem a malária encontram os humanos”.


McMeniman, junto com os pesquisadores de pós-doutorado da Bloomberg e os primeiros autores do estudo, Diego Giraldo e Stephanie Rankin-Turner, focaram no Anopheles gambiae, uma espécie de mosquito encontrada na África subsaariana. Eles fizeram parceria com o Macha Research Trust da Zâmbia, liderado pelo Dr. Edgar Simulundu, diretor científico.


“Estávamos muito motivados para desenvolver um sistema que nos permitisse estudar o comportamento do mosquito da malária africana em um habitat que refletisse seu habitat natural na África”, explica McMeniman.


Os pesquisadores também queriam comparar as preferências olfativas dos mosquitos entre diferentes humanos, observar a capacidade dos insetos de rastrear cheiros a distâncias de 20 metros e estudá-los durante suas horas mais ativas, entre 22h e 2h.


Para atender a todos esses requisitos, os pesquisadores criaram uma instalação protegida do tamanho de um rinque de patinação. No perímetro da instalação havia seis tendas onde os participantes do estudo dormiriam.


O ar das tendas, contendo o hálito característico e o odor corporal dos participantes, foi bombeado através de longos tubos para a instalação principal em almofadas absorventes, aquecidas e infundidas com dióxido de carbono para imitar um ser humano dormindo.


Centenas de mosquitos na instalação principal receberam os odores dos sujeitos adormecidos. Câmeras infravermelhas acompanharam o movimento dos mosquitos em direção às diferentes amostras. (Os mosquitos usados ​​no estudo não estavam infectados com malária e não conseguiam atingir humanos adormecidos).


Os pesquisadores descobriram o que muitos visitantes podem atestar: algumas pessoas atraem mais mosquitos do que outras. Além disso, análises químicas do ar nas lojas revelaram as substâncias causadoras de odor que atraem ou não os mosquitos.


Os mosquitos foram mais atraídos pelos ácidos carboxílicos do ar, incluindo o ácido butírico, um composto encontrado em queijos “fedorentos” como Limburger. Esses ácidos carboxílicos são produzidos por bactérias na pele humana e geralmente não são perceptíveis para nós.


Enquanto os ácidos carboxílicos atraíam os mosquitos, outro produto químico chamado eucaliptol, encontrado nas plantas, parecia detê-los. Os pesquisadores suspeitaram que uma amostra com alta concentração de eucaliptol poderia estar relacionada à dieta de um dos participantes.


Simulundu disse que encontrar uma correlação entre os produtos químicos nos odores corporais de diferentes pessoas e a atração dos mosquitos por esses odores foi “muito interessante e emocionante”.


“Essa descoberta abre caminhos para o desenvolvimento de iscas ou repelentes que podem ser usados ​​em armadilhas para alterar o comportamento de busca de hospedeiros dos mosquitos, controlando assim os vetores da malária em regiões onde a doença é endêmica”, disse Simulundu, coautor do estudo.


A Dra. Leslie Vosshall, neurobióloga e vice-presidente e diretora científica do Howard Hughes Medical Institute, que não participou do estudo, estava igualmente entusiasmada. “Eu acho que é um estudo muito interessante”, disse ele. “Esta é a primeira vez que tal experimento foi feito nesta escala fora do laboratório.”


Vosshall investiga outra espécie de mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. Em um estudo publicado no ano passado na revista acadêmica Cell, ela e seus colegas descobriram que essa espécie de mosquito também busca ácidos carboxílicos produzidos por bactérias na pele humana.


O fato de essas duas espécies diferentes responderem a sinais químicos semelhantes é positivo, diz ele, porque pode facilitar a criação de repelentes de mosquitos ou armadilhas em geral.


A pesquisa pode não trazer consequências imediatas para evitar picadas de insetos no próximo churrasco. Vosshall observou que mesmo esfregar com sabão sem perfume não remove os odores naturais que atraem os mosquitos. No entanto, ele observou que o novo trabalho “nos dá algumas pistas muito boas sobre o que os mosquitos usam para nos caçar, e entender o que é é essencial para darmos os próximos passos”.




Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-porque-algumas-pessoas-atraem-mais-os-mosquitos-do-que-outras/

sexta-feira, 17 de maio de 2024

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Saiba tudo sobre a era de ouro da Música Popular Brasileira

 


A cultura brasileira é extremamente rica, principalmente quando falamos sobre música. O país sempre foi recheado de artistas talentosos, cantando inúmeros estilos musicais, fazendo sucesso em todos os estados e, inclusive, no exterior.


Estilos que nascem de cada região do Brasil, cantando seus costumes, sua vivência, sua cultura, sua luta, usando a canção como uma forma de manifestação ou simplesmente para diversão. De letras mais simples a outras cheias de significados.


Mas, sem dúvida, uma das expressões artísticas mais importantes no país, que também se mistura a fatos marcantes da história do Brasil, é a Música Popular Brasileira. Composta por grandes artistas que marcaram seu nome na música nacional, e muito conhecidos lá fora também.


Essa expressão cultural nacional é uma das maiores riquezas imateriais produzidas pelos artistas brasileiros. E, como todo grande momento artístico tem sua fase mais importante, a música popular brasileira teve a chamada Era de Ouro.


A era de ouro da MPB


O período conhecido como era de ouro da música popular brasileira começou em 1930 até aproximadamente 1945. Foram 15 anos de momentos artísticos que se destacaram pela interação de vários cantores, compositores e instrumentistas, dando voz a estilos regionais, marchinhas e o samba cresciam como estilos populares, assim como a ascensão da música caipira e arranjos musicais mais complexos.


Nessa época também foram surgindo inovações tecnológicas, contribuindo ainda mais para o crescimento cultural do país. O desenvolvimento do rádio, o cinema falado e a gravação eletromagnética do som permitiram aos artistas se destacar ainda mais ao terem como divulgar mais amplamente suas músicas.


O método utilizado para gravações de música também mudou, devido ao surgimento da captação elétrica do som, que não os obrigava mais a forçar a voz para cantar. Foram essas inovações que contribuíram para a revelação de inúmeros cantores da MPB e levá-los a serem conhecidos em todo o país.


Os grandes artistas da época

Entre os destaques desse momento podemos citar os cantores que faziam sucesso com o samba diferente do tradicional, como Nilton Bastos, Ruben Barcelos, João Mina e Marçal, Ismael Silva e os irmãos Alcebíades que faziam parte da Turma do Estácio.


Muito conhecidos pelas marchinhas de carnaval estavam Lamartine Babo e Braguinha, além de Nássara, Noel Rosa e Assis Valente. Um dos sucessos mais conhecidos do país, “Aquarela do Brasil”, cantada por Ari Barroso, era uma música chamada de samba-exaltação, na qual sua letra fazia referência às belezas do Brasil.


Como se deu o fim da era de ouro?

Muitos associam o fim da era de ouro da música popular brasileira à introdução de outros estilos no país. A grande influência de estilos estrangeiros como jazz, bolero e também a música popular europeia nos ritmos nacionais levou às músicas posteriores a terem um estilo mais diferente, emotivo e pasteurizado, não se diferenciando muito uns dos outros.


Logo, os estilos internacionais de sucesso, como o rock’n’roll, entraram no mercado musical nacional e se tornaram bastante populares por aqui. Alguns estilos nacionais ainda persistiam no meio artístico brasileiro, mas a música americana, principalmente, tinha chegado para ficar e foi se destacando cada vez mais.

terça-feira, 7 de maio de 2024

Maus tratos contra cães e gatos pode dar cadeia


 A Lei 14.064/2020 aumentou a pena para quem maltratar cães e gatos. A partir de agora, quem cometer esse crime será punido com 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Caso o crime resulte na morte do animal, a pena pode ser aumentada em até 1/3.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

A época de ouro do rádio e a chegada da televisão

 


 "Nós somos as cantoras do rádio

Levamos a vida a cantar

De noite embalamos teu sono

De manhã nós vamos te acordar


Nós somos as cantoras do rádio

Nossas canções cruzando o espaço azul

Vão reunindo num grande abraço

Corações de Norte a Sul"


Gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda em 1936, a canção "Cantores do Rádio", de Lamartine Babo, Braguinha e Alberto Ribeiro, é um dos principais ícones do período em que o rádio começou a se popularizar no país e alcançar a simpatia e a paixão dos brasileiros.


Os anos 30 representaram um divisor de águas na história do rádio no país. Mas a verdade é que o pontapé da radiofonia brasileira veio um pouco antes, com o trabalho de voluntários e pioneiros nas chamadas rádios-clube ou rádios- -sociedade.


E, nesse início, o rádio estava longe de ser popular, como nos conta Sérgio Viotti, em áudio da coleção Documentos Sonoros do Nosso Século, da Editora Abril.


"Em 1922, uma barulhenta experiência não entusiasma o brasileiro; é a modesta estreia do rádio. Anos depois, Edgard Roquette-Pinto, pioneiro da radiofonia nacional, assim recordaria essa fase:


(...) A verdade é que durante a exposição do centenário da Independência em 1922, muito pouca gente se interessou pelas demonstrações experimentais de radiotelefonia, então realizadas pelas companhias norte-americanas: Westinghouse na Estação do Corcovado e Western Electric, na Praia Vermelha. Muito pouca gente se interessou. Creio que a causa principal desse desinteresse foram os alto-falantes instalados na exposição. Ouvindo discursos e músicas reproduzidos, no meio de um barulho infernal, tudo roufenho, distorcido, arranhando os ouvidos, era uma curiosidade sem maiores consequências. (...)"


Roquette-Pinto fundou, em 1923, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que ficaria para a história como a pioneira no país, apesar de alguns documentos indicarem que a Rádio Clube de Pernambuco, em Recife, teria sido, na verdade, a primeira a realizar uma transmissão radiofônia, em 1919.


Independentemente da controvérsia, fato é que, na década de 20 e início da de 30, o rádio ainda era elitista.


Além de os aparelhos custarem caro, quem os possuísse deveria pagar uma taxa para ter acesso ao receptor.


A tecnologia também não permitia que os rádios ficassem ligados por muito tempo. E a programação concentrava-se na transmissão de óperas e música clássica.


A grande mudança veio com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, a partir da Revolução de 30.


Já em 1931, o governo iniciou a regulamentação da radiodifusão e aboliu as taxas pagas pelos ouvintes para que os aparelhos fossem instalados em casa.


E, em 1932, a veiculação de anúncios comerciais passou a ser permitida no rádio.


Com a publicidade liberada, as emissoras foram, aos poucos, se popularizando. Afinal, quanto mais ouvintes mais anunciantes.


" Pílulas de vida do Dr. Ross

Fazem bem ao fígado de todos nós."


No início dos anos 30, havia 19 emissoras instaladas no país, segundo destaca Luiz André de Oliveira, em dissertação de mestrado concluída pela Fundação Getúlio Vargas. Em 1937, conta o autor, já eram 63 e, em 1945, 111.


Para atrair audiência, as emissoras comerciais abriam espaço para uma programação diversificada, formada por atrações musicais, humor e radioteatro.


Também era comum cederem espaço aos chamados programistas, que tornavam-se responsáveis por vender publicidade, redigir e produzir um programa variado.


Um dos pioneiros foi Ademar Casé, que, com o célebre Programa Casé, na Rádio Philips, recebia grandes ídolos da música popular à época, como Carmen Miranda e Francisco Alves.


Autor de uma biografia sobre a vida de Carmen Miranda, o jornalista Ruy Castro avalia que, nesse início da popularização do rádio, os cantores já consagrados pelos discos fizeram mais pelo rádio do que a radiofonia por eles.


"Eu tenho impressão de que o rádio no Brasil deve mais à Carmem Miranda do que ela ao rádio, porque quando ela começou a cantar profissionalmente, a gravar disco em 1929, 30, ela tinha 19 para 20 anos e você ainda não tinha exatamente o rádio no Brasil. (...) Mas quando isso aconteceu, a Carmen já era uma celebridade, (...) já tinha uma grande quantidade de discos gravados. Então, quando as rádios se abriram para propaganda e puderam finalmente contratar os cantores e artistas, e não apenas pagar por intermédio de cachê, a primeira artista contratada na principal rádio da época, que era a Rádio Mayrink Veiga, foi a Carmen. Imagine que muitas pessoas começaram a comprar aparelho de rádio porque podiam ouvir Carmen Miranda."


Lentamente, os papéis se inverteram, como analisa Ricardo Cravo Albin, que há 36 anos está à frente de um programa sobre música popular brasileira na Rádio MEC.


"A música popular não foi ajudada pela rádio, foi essencialmente lançada e revigorada e transformada numa mania nacional exatamente pelas emissoras radiofônicas no país."


No início dos anos 40, um dos maiores fenômenos culturais do Brasil era a Rádio Nacional.


Criada em 1936 pela iniciativa privada, a emissora passou para o patrimônio do governo federal em 1940.


Mas, diferentemente de outras empresas estatais, a Nacional continuou sendo administrada como uma companhia privada, sendo sustentada com publicidade.


Em dois anos, a Nacional se tornaria uma das cinco mais potentes emissoras do mundo, com antenas dirigidas para diferentes partes do país e do planeta.


Na programação, atrações musicais e pioneirismo. Foi na rádio Nacional, por exemplo, que a primeira radionovela brasileira foi ao ar: "Em busca da Felicidade" .


Os programas de humor e de auditório também conquistavam público, como explica Sérgio Viotti, na coleção Documentos Sonoros do Nosso Século.


"Na década de 50, a Rádio Nacional faz sucesso com novelas, programas de humor e de auditório, refletindo os gostos e as preferências populares. Entre eles, 'Piadas do Manduca' e o 'Programa César de Alencar':


Abertura do Programa César de Alencar:

Esta canção nasceu para quem quiser cantar

Canta você, cantamos nós, até cansar

Até bater

E decorar

Pra recordar vou repetir o seu refrão

Prepara a mão

Bate outra vez

Este programa pertence a vocês"


No fim dos anos 60, a Rádio Nacional ainda tinha uma vasta audiência. Mas essa já era a década da chegada da TV, que, aos poucos, levaria para as telinhas as atrações e as verbas publicitárias antes destinadas ao rádio.


Há 52 anos trabalhando com rádio, filho de pai e mãe radialistas, Roberto Rosemberg acompanhou os tempos áureos de emissoras como a Tupi do Rio de Janeiro e a Nacional.


Com a autoridade de quem viu de perto as transformações por que passou o meio radiofônico com a popularização da televisão, Roberto conta como as rádios tiveram que se ajustar aos novos tempos.


"Quando entrou a televisão, as verbas foram para televisão e, no país inteiro, o rádio teve que se adaptar. Teve que se amoldar a uma redução drástica de verbas. Aí veio o advento dos DJ, a FM entrando. (...) Mas o rádio foi se segmentando, foi melhorando, foi criando seu próprio caminho, foi criando rádios musicais, rádios eminentemente jornalísticas, que misturam informação, música e foi se adaptando com o advento da televisão."


A percepção de Roberto é confirmada pela pesquisadora Nélia Del Bianco, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.


Ela avalia que, diferentemente de décadas anteriores, o rádio parece não ser mais decisivo na formação do gosto musical, em especial dos jovens.


Mas na difusão de serviços e informação local, o meio radiofônico ainda guarda vantagem.


"O Rádio tem vantagem hoje na informação local. (...) Embora a internet possa ter agilidade para dar muitas informações, mas ela não tem agilidade para dar informação do que acontece na cidade. E aí entra o rádio com essa noção de proximidade, de vínculo com a comunidade, que permite uma atualização dos acontecimentos do entorno como mais agilidade e num nível de maior profundidade, que às vezes uma mídia nacional ou regional não consegue dar."


Até chegar ao ponto de levar informação local diretamente aos ouvintes, o radiojornalismo brasileiro também teve de passar por muitas mudanças.


Mas isso é tema para a próxima matéria.


De Brasília, Ana Raquel Macedo

terça-feira, 23 de abril de 2024

Web Rádio Épocas - Transmitindo ao vivo o melhor programa de serestas


 A Rádio Épocas todas as noites a partir das 22:30 hs transmite ao vivo o programa "O SOM DA SAUDADE".

Para acessar digite:webradioepocas.blogspot.com

O que as outras rádios não tocam mais vocè ouve aqui !


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Capital da seresta - A tradição da serenata embala gerações apaixonadas em Conservatória, distrito de Valença, no sul do estado do Rio.


Sobrados aconchegantes, calçamento de pedras pé-de-moleque, romantismo de cidade antiga. Cidade sonora, movida a serestas. Conservatória, a pouco mais de 120 km do Rio, foi criada com ruías estreitas, por onde passam turistas, moradores e músicos. A cantoria ecoa no casario colonial e à noite tem a companhia da lua para celebrar a tradição da serenata. Mais de 400 casas do centro histórico exibem plaquinhas com canções de autores consagrados da música popular brasileira. Cada morador tem um motivo para a escolha de uma melodia. “Essa casa foi de meus avós, então nos achamos que deveria ser a música Outra Vez”, disse a aposentada Maly Pedrazzi.


A seresta surgiu em Conservatória na época dos barões do café. Eles buscavam professores de música e artistas na corte pra se apresentarem nas fazendas e a tradição só ganha força com o passar dos anos. Poesia, música e romantismo inspiram seresteiros e encantam turistas.


No bate papo da esquina, no artesanato, nos monumentos. Tudo lembra música. Quando os seresteiros saem às ruas, são seguidos por flashes e filmadoras e como num palco, recebem o carinho do público, que engrossa o coro. “Viramos vitrine em algum momento, porque estamos cantando, mas fazemos de coração aberto, sem nenhum interesse maior, a não ser perpetuar a música popular brasileira”, disse o seresteiro Fernando Carneiro.


Composições de Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino. Um encontro voluntário de amantes da música romântica nacional. “Eu adoro fazer serenata. Eu moro no Rio, mas quando chega a quinta ou sexta-feira eu não vejo a hora de chegar aqui para poder cantar pelas ruas”, disse o seresteiro Joubert Cortine de Freitas.


Pra chegar a Cnservatória, saindo do Ro de Janeiro, o turista deve pegar a BR 040, sentido Belo Horizonte, entrar em Três Rios (RJ) e pegar a BR 393, sentido Volta Redonda. No trevo de Valença, entrar no sentido Conservatória. O trevo é bem sinalizado.

 

quarta-feira, 27 de março de 2024

Qual é a diferença entre a Web Rádio e a Rádio tradicional?

 


Enquanto a Rádio tradicional precisa de ondas hertzianas ou de satélite para transmitir as suas informações, a Web Rádio utiliza as ondas de Internet, muito mais acessíveis e baratas nos dias de hoje.


Além disso, a Rádio tradicional também exige uma maior regulamentação pública. O Governo Federal exige que as emissoras de rádio e de televisão sejam regulamentadas, já que o seu funcionamento afeta diretamente a população brasileira.


Enquanto isso, a Web Rádio possui maior liberdade para a transmissão de suas informações e para estar presente na Internet, meio onde é muito fácil a sua expansão e a regulamentação do Governo Federal e da Anatel não existe.


De acordo com o Inside Radio 2021, estudo realizado pela Kantar IBOPE Media, três em cada cinco brasileiros escutam rádio todos os dias, em qualquer meio, com uma média de tempo diário de quatro horas e 26 minutos.

Obrigado pela audiência na Rádio Épocas!

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